segunda-feira, 17 de março de 2008

Ocaso.

Zaratustra antes de descer da montanha para apresentar aos homens seu 'super-homem', permaceu isolado durante certo tempo.
Eu tinha 16 anos e pouca capacidade para compreender e terminar de ler este livro.
Mas isso não importa, e por dois motivos:
Primeiro porque um dia terei que ler Nietzsche de qualquer forma.
Segundo, porque não é o livro que vem ao caso e, sim, o ocaso contido nele.
E assim, vamos a narrativa do núcleo da estória.

Havia um mundo.
Um mundo onde por muito tempo todas as relações humanas pareciam demasiadas sólidas, até que um dia passaram a ser tão duvidosas quanto.
Quando algo torna-se duvidoso, quando você vê as coisas de outra forma, algo deve ter mudado: ou o objeto observado, ou a concepção que se tem do objeto (e isto implica numa mudança no observador).
Neste conto, quem muda é a fonte crítica.
Mas eu não diria que foi uma mudança.
Foi mais uma potencialização daquilo que já existia na essência do observador, daquilo que estava inerte no mesmo.
Foi a união oficial do que se 'quer ser' com o que se 'é', com uma alta dose de fidelidade mutua entre "ambos", que mudou muita coisa.
Mas isso não seria possível se não houvesse esse isolamente na montanha, e se este ocaso, este violento empurrão para o desenvolvimento de uma visão critica e imparcial dos fatos, não fosse consciente.
E é impressionante como daqui de cima não há nada para enxergar!
As mesmas relações humanas citadas anteriormente tornam-se vazias.
Para efeito de uma compreensão superficial do que estou registrando agora (isso pelo teor subjetivo do texto, e não por duvidar da capacidade de compreensão de ninguém), pare e pense, por exemplo, em suas amizades.
Pergunte-se quais delas tem um quê de verdadeira e quais são vazias.
Indague-se quais são contingente; oscile entre o sentimento de "eu sou um otário" e/ou "eu sou abençoado" por isso. Apenas busque sua essência e o que ela te traz.
Nesta 'convivência limitada' há muito que duvidar.
Muito mais do que possamos imaginar.

4 raciocine ou caia fora:

Elsa Villon disse...

Eu estou lendo Nietzsche com muito sofrimento, porque paro toda hora e preciso anotar algo que esse alemão fala...

Bu disse...

adorei sua pagina, entrei por ela muito pelo acaso procurando sobre nietzsche... eu costumava ter um blog tb mas muito cansaço e desmotivação parei, mas vc me fez refletir em voltar ... já tentei varias vezes... nao sei ... talvez mude o endereço... beijão! adorei sua blog muito bem escrita!

Renê disse...

Muito legal esse blog! tinha entrado uma vez só aqui e já faz um tempo!
Vocês duas capricharam! os textos são ótimos, o formato do Blog é muito bom e nada inspirador do que colocar Woody na capa! hau
Beijos Amor Elsa e Cintia, continuem assim.
Renê Rojas

Andréia disse...

Sobre amizades...é complicado falar, atualmente tenho poucas, quase nada...é melhor assim, embora às vezes eu sinta falta, não quero manter relacionamentos superficiais com mais ninguém...já fui otária muitas vezes...


Abraços