A pessoa que um dia disse que era fácil gostar de alguém estava embriagada. É bem difícil. Principalmente com a convivência diária, com as conveniências, com os defeitos latentes e aquelas coisas feitas somente para irritar.
Sábio é o que disse que não dá para mandar no coração. Esse sim merecia todos os louros e citações em todos os livros. Aliás, essa metáfora de coração veio bem a calhar. Porque quando dói de verdade, é nele, é bem no centro do peito, aquele aperto enorme que faz a gente se esquecer de como se respira.
Até pouco tempo, era muito fácil. Gosta ou não gosta. Daí nós crescemos, aprendemos a conviver com as diferenças. Você começa gostando, acha que deixou de gostar, mas para sempre vai gostar. Mesmo não gostando de gostar do jeito que gosta.
E deixar de gostar leva tempo. Mais do que gostar. Tem coisa que a gente nem precisa ver para saber que gosta. Ou ver uma vez, e pronto, gostar demasiadamente. Mas e aquelas que a gente gosta há tanto tempo? E por alguma razão precisamos deixar de gostar. E como disse Proust: "Quando a dor acaba questionamos se realmente amamos". Mas amamos. De uma forma fraternal, sem febre e sem aquela angústia típicamente jovem, mas que vem em qualquer idade.
Quanto tempo leva até dar o tempo certo? E quando dá certo, como sabemos? O certo pode ser temporário?
Pense. Cá fico eu, pensando também.
Mas deixo a dica: o tórax é maior que a cabeça porque aguenta mais dores.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Penso, logo não durmo
Disseram que matuto demais. Eu fico pensando demais nas coisas grandes e pequenas do mundo e da minha vida e sou menos tranquila por isso. Fato.
Eu penso demais. E durmo de menos. Isso é quase como uma afirmação irrevogável: pessoas que pensam demais dormem de menos. Fato².
Na madrugada que transcorre, o excesso vira falta e a falta, fica em excesso. Pisca, vira, pensa. Pensa demais. E fica pensando em como parar de pensar.
Pensa no dia de hoje, no amanhã, no mesmo período do ano passado e no futuro. Por que todas as questões insolúveis e inúteis vagueiam mais livremente quando encostamos no travesseiro nossas pesadas cabeças calejadas por um cérebro inchado de tanta atividade? Não pense nisso.
Durma. No sono, tudo se resolve, bem diz minha sagrada mãe.
Quem dorme sara, cura-se de todo o mal. Os pensamentos viram sonhos, e lá, você é quem quer ser.
E eu, aqui acordada, sou quem menos quero ser.
Continuo pensando nisso.
Eu penso demais. E durmo de menos. Isso é quase como uma afirmação irrevogável: pessoas que pensam demais dormem de menos. Fato².
Na madrugada que transcorre, o excesso vira falta e a falta, fica em excesso. Pisca, vira, pensa. Pensa demais. E fica pensando em como parar de pensar.
Pensa no dia de hoje, no amanhã, no mesmo período do ano passado e no futuro. Por que todas as questões insolúveis e inúteis vagueiam mais livremente quando encostamos no travesseiro nossas pesadas cabeças calejadas por um cérebro inchado de tanta atividade? Não pense nisso.
Durma. No sono, tudo se resolve, bem diz minha sagrada mãe.
Quem dorme sara, cura-se de todo o mal. Os pensamentos viram sonhos, e lá, você é quem quer ser.
E eu, aqui acordada, sou quem menos quero ser.
Continuo pensando nisso.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Reticências
Passadas algumas semanas na reabilitação intelectual (meios externos acabaram por viciar-me), retorno com a tarefa semanal reflexiva.
Hoje é terça e não a sexta, mas quem pensa demais perde a noção do tempo. Nota: pensar demais não está relacionado diretamente à reflexão e nem é um sinônimo que de tenho pensado puramente, de que pensar demais é um bom sinal ou que quem pensa pouco não é brilhante. Ao contrário. Creio eu que quando menos tempo levamos em nossas reflexões, mais brilhantes somos.
Horas de reflexão são para pensadores amadores, exercícios para atingir o tal do esclarecimento que Kant citou certa vez. Fim da nota.
Meu ponto hoje é supôr o que pensam as pessoas em momentos banais. No ônibus há sempre os vagueantes olhando o nada. Que estariam eles pensando?
Eu sou uma deles, diga-se de passagem.
Que estaria aquele mendigo do metrô, que passa o dia inteiro sentado lá, pensando?
Aquele vendedor ambulante de doces/aparelhos eletrônicos/bolsas/meias/cintos e passes de ônibus pensando?
E aquele empresário de terno, que espia a rua de dentro do restaurante japonês caro, com sua Sansonite ao lado, com seu N95 do outro, que estaria ele pensando?
Pensando também fico eu, cá, desolada desse lado.
Hoje é terça e não a sexta, mas quem pensa demais perde a noção do tempo. Nota: pensar demais não está relacionado diretamente à reflexão e nem é um sinônimo que de tenho pensado puramente, de que pensar demais é um bom sinal ou que quem pensa pouco não é brilhante. Ao contrário. Creio eu que quando menos tempo levamos em nossas reflexões, mais brilhantes somos.
Horas de reflexão são para pensadores amadores, exercícios para atingir o tal do esclarecimento que Kant citou certa vez. Fim da nota.
Meu ponto hoje é supôr o que pensam as pessoas em momentos banais. No ônibus há sempre os vagueantes olhando o nada. Que estariam eles pensando?
Eu sou uma deles, diga-se de passagem.
Que estaria aquele mendigo do metrô, que passa o dia inteiro sentado lá, pensando?
Aquele vendedor ambulante de doces/aparelhos eletrônicos/bolsas/meias/cintos e passes de ônibus pensando?
E aquele empresário de terno, que espia a rua de dentro do restaurante japonês caro, com sua Sansonite ao lado, com seu N95 do outro, que estaria ele pensando?
Pensando também fico eu, cá, desolada desse lado.
sábado, 16 de agosto de 2008
Não penso, logo não escrevo.
Pensando, pensando, pensando.
Parei de pensar.
Dói.
Cansa.
Enlouquece.
Quem não pensa, não escreve. O que não quer dizer que quem não escreve, não pense.
Mas ando fadada ao cansaço, tédio, falta de inspiração e de repercursão para escrever.
Por diversas vezes tenho escrito e sido ignorada. Ao passo que tantos outros que escrevem sem pensar são aclamados por legiões de outros que não pensam. Isso é de certa forma, frustrante. Sim, é uma crítica dor de cotovelo. Quero sim ser lida. Quero reconhecimento. Quem pensa quer ser reconhecido por pensar. Eu quero ser reconhecida por pensar, não por olhos claros ou lábios grossos.
Parei de pensar.
Dói.
Cansa.
Enlouquece.
Quem não pensa, não escreve. O que não quer dizer que quem não escreve, não pense.
Mas ando fadada ao cansaço, tédio, falta de inspiração e de repercursão para escrever.
Por diversas vezes tenho escrito e sido ignorada. Ao passo que tantos outros que escrevem sem pensar são aclamados por legiões de outros que não pensam. Isso é de certa forma, frustrante. Sim, é uma crítica dor de cotovelo. Quero sim ser lida. Quero reconhecimento. Quem pensa quer ser reconhecido por pensar. Eu quero ser reconhecida por pensar, não por olhos claros ou lábios grossos.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Adiantado
Devido ao nosso prezado feriado católico, adianto a postagem dessa semana... Enjoy...
O que você anda fazendo por um mundo melhor?
Piegas, mas real...
Outro dia, em uma das minhas habituais viagens mentais, tal pergunta tornou-se o foco de atenção. O que eu tenho feito para um mundo melhor?
Não sou nenhuma pensadora, filósofa, matemática, astrônoma ou qualquer coisa que o valha para melhorar instantânea e miraculosamente as moléstias da humanidade. Mas eu posso reciclar meu lixo, não jogá-lo na rua, usar sacos de pano para as compras, andar de bicicleta, doar um agasalho ou 10,00 para uma instituição de crianças com AIDs.
Eu posso parar de usar coisas com aerosol, de comer no Mc Donald´s, de visitar outlets da Nike, de comprar produtos chineses, de gastar com frivolidades, de me importar com uma bolsa nova, um jeans de marca, um All Star de 110,00, uma Mont Blanc.
Não brigar com minha irmã mais nova por tudo que ela faz, passar mais tempos com meus 6 cachorros, regar com freqüência minha violeta, pedir novamente para os vizinhos não jogarem lixo na porta da minha casa, não estacionarem o carro em frente a minha garagem.
Não votar em branco nessa eleição, não abaixar a cabeça para a Telefonica quando ela corta meu telefone com a conta paga, exigir meus 0,04 centavos de troco no hipermercado de um certo milionário.
Largar jornalismo, estudar biologia marinha e ir cuidar das tartarugas do Nordeste, virar sindicalista para apoiar os seringueiros, entrar para a FUNAI, adotar uma criança do Nepal.
Virar embaixadora (o correto é embaixadora, a representante diplomática, embaixatriz é a esposa do embaixador) da ONU.
Fazê-lo acreditar que até você, ai, sentado, lendo essa retórica embasada na viagem mental de uma "narcotico-mentora", pode sim melhorar o mundo, nem que de forma ínfima.
Ou pelo menos tentar...
O que você anda fazendo por um mundo melhor?
Piegas, mas real...
Outro dia, em uma das minhas habituais viagens mentais, tal pergunta tornou-se o foco de atenção. O que eu tenho feito para um mundo melhor?
Não sou nenhuma pensadora, filósofa, matemática, astrônoma ou qualquer coisa que o valha para melhorar instantânea e miraculosamente as moléstias da humanidade. Mas eu posso reciclar meu lixo, não jogá-lo na rua, usar sacos de pano para as compras, andar de bicicleta, doar um agasalho ou 10,00 para uma instituição de crianças com AIDs.
Eu posso parar de usar coisas com aerosol, de comer no Mc Donald´s, de visitar outlets da Nike, de comprar produtos chineses, de gastar com frivolidades, de me importar com uma bolsa nova, um jeans de marca, um All Star de 110,00, uma Mont Blanc.
Não brigar com minha irmã mais nova por tudo que ela faz, passar mais tempos com meus 6 cachorros, regar com freqüência minha violeta, pedir novamente para os vizinhos não jogarem lixo na porta da minha casa, não estacionarem o carro em frente a minha garagem.
Não votar em branco nessa eleição, não abaixar a cabeça para a Telefonica quando ela corta meu telefone com a conta paga, exigir meus 0,04 centavos de troco no hipermercado de um certo milionário.
Largar jornalismo, estudar biologia marinha e ir cuidar das tartarugas do Nordeste, virar sindicalista para apoiar os seringueiros, entrar para a FUNAI, adotar uma criança do Nepal.
Virar embaixadora (o correto é embaixadora, a representante diplomática, embaixatriz é a esposa do embaixador) da ONU.
Fazê-lo acreditar que até você, ai, sentado, lendo essa retórica embasada na viagem mental de uma "narcotico-mentora", pode sim melhorar o mundo, nem que de forma ínfima.
Ou pelo menos tentar...
sábado, 10 de maio de 2008
Atraso
Obviamente, quem visita esse blog se pergunta: por que essa frase inicial ao clicarmos no link?
Respondo-os com grande prazer. Fora a grande homenagem ao nosso Raul (Metrô linha 743), acredito que a retórica seja verdadeira.
A gente sempre pensa melhor no momento de imobilidade... Ninguém reflete muito sobre filosofias, vãs ou não, em seu corriqueiro cotidiano. Estamos sempre concentrados nas banais atividades. E embora a atividade cerebral seja constante, ela não é voltada para a arte, por assim dizer da reflexão. Precisamos parar tudo, num momento de tranquilidade e pensar.
Difícilmente alguém que carregou peso e/ou esforçou fisicamente o dia todo, pára e reflete sobre as realidades das indagações de Sócrates sobre a sociedade de sua época.
Sim, a pessoa pensa. Em como precisa fazer as coisas, as contas que deve pagar, em quanto trabalho falta...
E eu, sendo uma das pessoas, sem tempo para realmente refletir e escrever sobre essas reflexões como sempre faço às sexta-feiras, atrasei a postagem do melhor blog do mundo.
Pensem nisso essa semana. Em quem realmente pára para pensar uma única vez por semana. Pensar com direito a reflexão, a indagação.
Pensem nisso.
Respondo-os com grande prazer. Fora a grande homenagem ao nosso Raul (Metrô linha 743), acredito que a retórica seja verdadeira.
A gente sempre pensa melhor no momento de imobilidade... Ninguém reflete muito sobre filosofias, vãs ou não, em seu corriqueiro cotidiano. Estamos sempre concentrados nas banais atividades. E embora a atividade cerebral seja constante, ela não é voltada para a arte, por assim dizer da reflexão. Precisamos parar tudo, num momento de tranquilidade e pensar.
Difícilmente alguém que carregou peso e/ou esforçou fisicamente o dia todo, pára e reflete sobre as realidades das indagações de Sócrates sobre a sociedade de sua época.
Sim, a pessoa pensa. Em como precisa fazer as coisas, as contas que deve pagar, em quanto trabalho falta...
E eu, sendo uma das pessoas, sem tempo para realmente refletir e escrever sobre essas reflexões como sempre faço às sexta-feiras, atrasei a postagem do melhor blog do mundo.
Pensem nisso essa semana. Em quem realmente pára para pensar uma única vez por semana. Pensar com direito a reflexão, a indagação.
Pensem nisso.
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